Realizando um sonho em família
O Japão sempre foi um destino que morou nos meus sonhos — um país que une tradição, beleza e uma maneira única de enxergar o mundo. Finalmente viver tudo isso, ao lado do meu marido e dos nossos três filhos, celebrando mais um aniversário de casamento, foi simplesmente emocionante.
Cada viagem tem seu significado, mas esta carregou algo especial: a realização de um desejo antigo, compartilhado com quem mais amo. Ver o Japão ganhar vida diante dos nossos olhos foi como folhear as páginas de um livro que eu esperava ler há muito tempo.
Descobrimos juntos os contrastes que tornam o país tão fascinante — das tradições milenares à modernidade pulsante das cidades, dos templos silenciosos às luzes de néon que parecem nunca dormir.
Foram dias cheios de descobertas, sabores, histórias e momentos em família que ficarão para sempre na memória.
Arigatou gozaimasu, Japão.
O sonho se realizou.
Dia 1 — Primeiros Encantos em Tóquio
Nosso primeiro dia no Japão foi aquele turbilhão de emoções: encantamento, curiosidade e uma leve desorientação causada pelo jet lag, que insistia em lembrar que o corpo ainda estava se ajustando ao novo fuso.
Começamos explorando Asakusa, bairro onde o Japão tradicional pulsa em cada esquina. Entre templos imponentes, lanternas vermelhas e o aroma suave do incenso que parece flutuar no ar, mergulhamos na essência espiritual e colorida de Tóquio.
Ali, tivemos uma experiência inesquecível: uma imersão na cultura dos samurais. Aprendemos um pouco sobre sua história, filosofia e até alguns movimentos e técnicas. Foi fascinante ver como arte, disciplina e tradição se entrelaçam nessa parte tão importante da cultura japonesa.
Na hora da fome, seguimos para o mercado Tsukiji, onde os chefs transformam peixes frescos em pequenas obras-primas. O destaque? Um sanduíche de wagyu simplesmente divino, que ganhou nosso coração (e paladar!).
Encerramos o dia em Akihabara, o bairro dos eletrônicos, dos videogames e das luzes que piscam como se o futuro já tivesse endereço fixo ali. Um verdadeiro espetáculo para os olhos!
Primeiro dia concluído com o coração cheio e a certeza de que o Japão é um lugar onde tradição e modernidade dançam lado a lado.
Dia 2 — Entre o Silêncio dos Templos e o Brilho das Vitrines
O Japão, no segundo dia, nos mostrou outro ritmo — mais calmo, mais contemplativo. Começamos por Ginza, onde vitrines perfeitas, ruas impecáveis e arquitetura elegante criam uma atmosfera que mistura arte e luxo. Caminhar por ali é quase uma aula de estética: tudo é harmonia e bom gosto.
Depois, seguimos para o Santuário Meiji Jingu, um oásis de serenidade no coração de Tóquio. O cheiro do incenso, o som dos passos sobre a madeira e o ar úmido da floresta criam uma paz que acalma por dentro. Foi um momento de respiro em meio à energia intensa da cidade.
Voltamos ao hotel e, da janela, tivemos um presente: um pôr do sol inesquecível com o Monte Fuji ao fundo. Dizem que ele aparece assim apenas 90 dias por ano — e nós tivemos a sorte de presenciar um desses momentos raros.
À noite, o jantar foi em Shinjuku, no restaurante Robatasho, uma escolha do meu filho. Um lugar típico, escondido no subsolo, com ambiente acolhedor e comida deliciosa.
Um dia de contrastes: luxo e silêncio, movimento e paz. Um daqueles dias que a gente não apenas vive, mas sente profundamente.
Dia 3 — Cores, Criatividade e Magia em Tóquio
Nosso terceiro dia começou em Harajuku, o bairro mais criativo e vibrante da cidade. As lojinhas da Takeshita Street são um festival de cores, estilos e excentricidade. E, claro, eu enlouqueci na loja do Harry Potter, onde até a escada rolante parece saída de Hogwarts!
Depois, nos perdemos de propósito pelas ruazinhas cheias de cafeterias charmosas, lojinhas locais e docerias japonesas que mais parecem saídas de um anime.
À tarde, fomos para Shibuya, lar do famoso Shibuya Crossing, o cruzamento mais movimentado do mundo. Ver centenas de pessoas atravessando de todos os lados ao mesmo tempo é uma cena hipnotizante. Tentamos tirar uma foto sem ninguém ao redor — missão impossível, mas rimos muito tentando!
À noite, Shibuya fica ainda mais viva: letreiros, luzes, sons e aquela energia contagiante. Jantamos no Sushi Miyako, um restaurante omakase indicado pelo Guia Michelin. Tudo impecável — mesmo que meu paladar um pouco mais “infantil” tenha pedido trégua em alguns pratos.
Mata ashita! — Até amanhã, Japão.













Dia 4 — De Tóquio a Takayama: Uma Viagem no Tempo
Dia de nos despedirmos de Tóquio e embarcar rumo a Takayama de trem. O trajeto já foi um espetáculo à parte — as paisagens foram mudando pouco a pouco, com rios serpenteando ao lado dos trilhos e montanhas surgindo no horizonte.
Ao chegar, fomos recebidos por uma cidade que parece ter parado no tempo. Casas de madeira, lojinhas locais e ruas estreitas criam uma atmosfera acolhedora e nostálgica.
Por sorte, chegamos bem no dia de um festival tradicional, com procissões, tambores e barraquinhas de comidas típicas. Foi mágico sentir a energia da cidade vibrando em cada canto.
À noite, jantamos no Tsubakiya, um restaurante charmoso e cheio de sabor — o encerramento perfeito para um dia que misturou cultura, tradição e poesia.
Dia 5 — Shirakawa-go: O Japão de Conto de Fadas
Hoje conhecemos Shirakawa-go, uma vila encantadora na região de Gifu e Patrimônio Mundial da UNESCO.
As casas gassho-zukuri, com telhados triangulares que lembram mãos em oração, são únicas no Japão. Feitas para resistir à neve e ao tempo, muitas ainda abrigam famílias, pousadas e pequenos museus.
Subimos ao mirante e a vista tirou o fôlego: casinhas entre montanhas, campos de arroz e o silêncio da natureza — um quadro vivo. Não é à toa que chamam Shirakawa-go de “Cidade do Arroz”, especialmente linda no verão, quando os arrozais ficam verde-esmeralda.
Voltamos para Takayama ao entardecer, com o coração cheio e a sensação de ter visitado um lugar fora do tempo.














Dia 6 — Amor, Tradição e 30 Anos de História
Celebrar 30 anos de casamento é mais do que marcar uma data — é revisitar o caminho, reconhecer a força dos laços e se permitir sentir tudo de novo.
Escolhi o Japão, e especialmente Kanazawa, para essa celebração. Planejei tudo em segredo — nem o Marcos, nem nossos filhos sabiam. E foi isso que tornou o momento ainda mais mágico.
Vivemos a cerimônia shinzen kekkon, um casamento japonês tradicional celebrado diante dos deuses da natureza.
Vesti o shiromuku, o quimono branco que simboliza pureza e novos começos. Cada gesto, do toque dos sinos à oferenda dos ramos sagrados, carregava significado.
Foi um momento de silêncio, reverência e amor — um ritual que transformou nossa história em tradição. Kanazawa nos deu o presente de eternizar nosso amor em um cenário de beleza e espiritualidade.















Dia 7 — Kyoto: História Viva e Tradição em Cada Passo
Depois de uma semana intensa explorando o Japão, o sétimo dia nos levou a Kyoto, a cidade que é o coração histórico e espiritual do país. Eu estava ansiosa para mergulhar nesse universo onde cada esquina parece guardar um pedaço da história.
Começamos pelo Castelo Nijo, um dos locais mais impressionantes que já visitei. Caminhar pelos pisos de rouxinol, que rangem de propósito para alertar sobre intrusos, é como viajar no tempo. Os detalhes das salas, as pinturas delicadas e os painéis dourados revelam a grandiosidade do período feudal japonês.
Seguimos pela charmosa rua Sanneizaka, repleta de lojinhas e cafés que convidam à pausa. Subimos até o templo Kiyomizudera, um dos mais icônicos do Japão, com sua varanda de madeira suspensa sobre o penhasco. O pôr do sol refletindo nas colinas foi um daqueles momentos que a gente guarda pra sempre.
Descemos pela Ninenzaka até o santuário Yasaka, um dos mais antigos de Kyoto, onde as lanternas iluminam suavemente o caminho e o tempo parece desacelerar.
À noite, tivemos uma experiência que eu jamais esquecerei: um jantar com uma Maiko, aprendiz de gueixa. Entre risadas, histórias e curiosidades sobre essa arte tão delicada e misteriosa, vivemos uma noite inesquecível. Kyoto nos envolveu com sua alma — serena, elegante e profundamente poética.



















Dia 8 — Osaka: Energia, Sabores e Luzes
O oitavo dia foi dedicado à vibrante Osaka, uma cidade que pulsa em outro ritmo — mais moderno, alegre e cheio de vida.
Começamos por Namba, o coração da cidade, onde tudo acontece: lojas, cafés, luzes e aquele burburinho que contagia. Seguimos para Dotonbori, um dos lugares mais fotogênicos do Japão, com letreiros coloridos, fachadas criativas e o famoso outdoor do “Running Man”. É impossível não se divertir ali!
A fome bateu e fomos direto ao mercado Kuromon, um verdadeiro paraíso gastronômico. Provamos wagyu grelhado na hora, takoyaki (bolinhos de polvo) e até sobremesas de matcha — cada barraquinha, uma nova tentação.
À tarde, visitamos o imponente Castelo de Osaka, cercado por um parque com lagos e cerejeiras. Saber que ele foi palco de batalhas decisivas na unificação do Japão dá ainda mais peso ao cenário.
De volta a Kyoto, encerramos o dia com um jantar italiano (sim, uma pausa bem-vinda depois de tantos dias de sushi!). Uma boa massa trufada e um vinho tinto — o toque de casa no fim de um dia intenso e delicioso.





Dia 9 — Nara: Templos, Cervos e Serenidade
Acordamos animados para um dia de descobertas em Nara, cidade que parece saída de um conto antigo. Logo na chegada, fomos recebidos pelos veados sagrados que circulam livremente pelo Parque de Nara — simpáticos, curiosos e, às vezes, um pouquinho insistentes em busca de biscoitinhos.
Seguimos para o Santuário Kasuga Taisha, fundado no século VIII e famoso por suas centenas de lanternas de pedra e bronze que iluminam o caminho. O clima ali é de pura paz, com aquele silêncio cheio de significado.
No almoço, experimentamos um teppanyaki incrível — um dos melhores que já comi, com sabores intensos e apresentação impecável.
Mas o ponto alto do dia foi o Templo Tōdai-ji, lar do monumental Grande Buda de Nara (Daibutsu), uma das maiores estátuas de bronze do mundo. Ficar ali, diante daquela figura imponente, é uma experiência quase espiritual.
Nara nos despediu com serenidade — e aquela sensação boa de gratidão por estar vivendo tudo isso em família.
Dia 10 — Kyoto de Chuva e Magia
Mesmo com uma garoa fina, acordamos animados para explorar mais de Kyoto. A cidade parecia ainda mais poética sob o céu cinza.
Nossa primeira parada foi o Santuário Fushimi Inari, com seus milhares de portais vermelhos (torii) formando um túnel que sobe o Monte Inari. Cada passo ali parece uma meditação.
Depois, seguimos para a floresta de bambu de Arashiyama. Apesar de menor do que imaginávamos, caminhar entre os bambus altos, ouvindo o som do vento, foi quase mágico.
Em seguida, visitamos o Templo Dourado (Kinkaku-ji). Coberto de folhas de ouro e refletido no espelho d’água ao redor, ele é simplesmente hipnotizante — uma daquelas imagens que a mente guarda com nitidez.
Encerramos o dia no Tenjaku, restaurante Michelin que nos surpreendeu com um tofu tempura crocante por fora, macio por dentro e mergulhado num caldo de dashi inesquecível. Kyoto se despediu com elegância — e muito sabor.
Dia 11 — Hiroshima e Miyajima: Emoção e Esperança
O décimo primeiro dia foi um dos mais marcantes da viagem.
Em Hiroshima, visitamos o Museu da Bomba Atômica e o Parque Memorial da Paz. Caminhar por ali é sentir o peso da história, mas também perceber a força da reconstrução e da esperança. É impossível sair sem refletir.
De lá, seguimos para a Ilha de Miyajima, com seu icônico Torii flutuante de Itsukushima, que parece emergir das águas. Os cervos circulando livremente e a vista do mar criam uma atmosfera quase mística.
À noite, provamos o famoso okonomiyaki estilo Hiroshima — uma espécie de panqueca japonesa recheada com repolho, brotos, carne ou frutos do mar, macarrão e ovo, finalizada com molho especial. Uma explosão de sabores e texturas!
Dia 12 — Monte Fuji: Natureza e Magia
Nosso penúltimo dia foi dedicado ao Monte Fuji e aos seus arredores — e foi inesquecível.
Começamos pela Cachoeira Shiraito, uma das paisagens mais deslumbrantes do Japão. Filetes de água descem suavemente sobre uma muralha verde de musgos, criando uma cena de pura poesia.
Seguimos para Iyashi no Sato, uma vila tradicional aos pés do Fuji. As casinhas de palha, hoje convertidas em lojinhas e ateliês, preservam a essência da vida japonesa antiga. Almoçamos ali mesmo, num restaurante simples e autêntico, saboreando udon quente com caldo caseiro — conforto em forma de comida.
Depois, exploramos uma das cavernas de Aokigahara, formadas por fluxos de lava antigos. Um cenário misterioso e fascinante.
E quando o dia já ia se despedindo, o Monte Fuji finalmente apareceu — majestoso, iluminado pelo pôr do sol. Foi um daqueles momentos de arrepiar. E o melhor: do nosso hotel, escolhi a dedo um quarto com vista direta para ele. Dormir e acordar com o Fuji na janela foi o desfecho perfeito de um dia mágico.
Dia 13 — Hakone: Arte, Natureza e Despedida Perfeita
Nosso último dia foi uma mistura de diversão, contemplação e despedida com o coração apertado.
Passamos primeiro por um parque de diversões, que rendeu boas risadas em família, e seguimos para Owakudani, área vulcânica de onde saem fumarolas e águas termais ricas em enxofre. Lá, provamos os famosos ovos pretos, cozidos nas fontes — dizem que quem come um ganha sete anos extras de vida, e claro, garantimos os nossos!
Seguimos até o Santuário de Hakone, onde o grande torii vermelho flutua sobre o Lago Ashinoko. O contraste do portal com o verde das montanhas é uma das imagens mais lindas do Japão.
Encerramos a tarde no Museu ao Ar Livre de Hakone, um lugar em que arte e natureza se misturam de forma poética. Esculturas espalhadas pelos jardins e trilhas com vista para as montanhas fazem a alma sorrir.
À noite, chegamos ao Gora Kadan, o ryokan mais tradicional e aguardado da viagem. Entre tatames, futons e banhos quentes de ofurô, experimentamos a verdadeira hospitalidade japonesa. Foi o encerramento perfeito de uma jornada inesquecível.
Hotelaria — Four Seasons Tóquio: Um Refúgio Urbano de Luxo
Preciso compartilhar minha experiência no Four Seasons Tóquio, um verdadeiro refúgio no meio da metrópole.
Mesmo sem muitas fotos (quem mais se esquece de registrar quando está vivendo o momento? 😅), o lugar merece cada elogio.
A localização é perfeita, de frente para o Parque Imperial, com uma vista deslumbrante que, em dias claros, revela até o Monte Fuji no horizonte.
O serviço é impecável — da recepção ao restaurante, tudo é feito com atenção e gentileza. Os quartos são um capítulo à parte: espaçosos, elegantes e com design contemporâneo de inspiração japonesa, janelas do chão ao teto e tecnologia de ponta.
O spa é uma experiência sensorial completa, e os restaurantes… uma celebração da gastronomia em cada detalhe.
O Four Seasons não é apenas um hotel — é um estado de espírito, um convite a desacelerar e viver o luxo em sua forma mais autêntica: a arte de cuidar bem.
Encerrar uma viagem ao Japão é como acordar de um sonho — o coração volta cheio, a mente desperta e a alma, leve.